Coqueluche – Recomendações Atuais

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Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria

Relator Dr Eitan N Berezin

O Ministério da Saúde apresentou novos dados da Situação da coqueluche no Brasil.

Segundo dados registrados no Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN), foram notificados, até a última semana epidemiológica (SE 52) de 2012, 15.428 casos suspeitos de coqueluche no país. Destes, 5.125  (28,9%) foram confirmados,com 2990 hospitalizaões. representando um incremento de 97% em relação ao mesmo período de 2011, em que foram confirmados 2.258 casos. Um fator preocupante é o numero de óbitos que atingiu o numero total de 86 quase a totalidade deles em lactentes com idade inferior a seis meses. O coeficiente de Incidência para menores de um ano atingiu 105,9 por 100.00 e o de letalidade nesta faixa de idade 2,68 por 100.000.

No ano de 2013 computando somente Janeiro ocorreram 1020 casos .

Este problema do aumento do numero de casos de Coqueluche tem características mundiais e não é exclusividade do Brasil. Entretanto a taxa de letalidade é bastante preocupante.

Na Califórnia em 2010 houve uma grande epidemia de Coqueluche com cerca de 9.000 casos diagnosticados. Nesta epidemia o numero de mortes foi de 10 lactentes. Portanto devemos recordar que este quadro no lactente jovem é bastante grave e devemos estar vigilantes para a prevenção de mortes até que outras medidas preventivas possam ser realizadas.

Porque acontece este aumento em uma doença Imunoprevenivel

As coberturas de vacinas contendo o componente pertussis aumentaram substancialmente nas duas últimas décadas, superando 80% em 2009; entretanto, a coqueluche persiste como importante problema de saúde pública, ocorrendo na forma endêmica e epidêmica, mesmo nos países em que as coberturas vacinais no primeiro ano de vida são superiores a 95%.

Entretanto a infecção e a Imunização não levam a imunidade permanente. A ausência de reforços imunitários leva a um aumento de casos na idade da adolescência e adultos jovens. Este grupo apresenta doença com poucos sintomas e passam a ser responsáveis para a disseminação da doença para a população mais suscetível que são os lactentes jovens. Outro fator importante para o maior numera de doença nos lactentes jovens é a menor transmissão de anticorpos por via transplacentaria que é consequência da queda dos níveis de anticorpos na população de adultos jovens.

O ser humano é o único hospedeiro da B. pertussis. A bactéria é um patógeno especifico de humanos e não sobrevive bem fora do hospedeiro. O contagio ocorre através do contato com gotículas respiratórias geradas por tosse ou espirro de pessoas doentes, especialmente na fase catarral e início da fase paroxística, nas primeiras três semanas do quadro, quando dificilmente se faz a suspeita diagnóstica. Até 80% dos contactantes domiciliares imunes adquirem a doença decorrente da imunidade evanescente.

Os irmãos mais velhos (incluindo os adolescentes) e os adultos apresentam formas mais leves da doença com formas leves e atípicas e são pouco diagnosticados. A doença nos adultos jovens,frequentemente assintomáticas, é a mais importante fonte da infecção para os lactentes jovens.

Quadro Clinico

O principal motivo de hospitalização de bebês com menos de seis meses é a pneumonia (>60%), muitas vezes acompanhada por crises de apneia e hipóxia, levando à necessidade de internação em unidade de cuidados intensivos. Outras complicações são perda de peso, otite, convulsão, encefalopatia e morte. Embora as complicações sejam mais frequentes em lactentes incompletamente vacinados, elas podem ocorrer em pessoas de qualquer idade. Um achado de importância é a leucocitose

Manuseio Clinico

Lactentes jovens com quadro de apneia ou tosse paroxística apresentam indicação de Hospitalização. Lembrar que Recém-nascidos prematuros, crianças com doenças de base cardíacas, pulmonares, musculares ou neurológicas apresentam alto risco para doença grave.

Avaliação durante a hospitalização

  1. Acompanhar progressão da doença e probabilidade de eventos que envolvam risco de vida,
  2. Prevenção e tratamento de complicações. As freqüências cardíaca e respiratória e a oximetria de pulso devem ser continuamente monitoradas com alarmes programados de modo que os paroxismos possam ser observados e documentados pelos profissionais de saúde.
  3. Os paroxismos típicos que não conferem risco de vida têm as seguintes características: duração inferior a 45 segundos; rubor mas não cianose; taquicardia, bradicardia (não inferior a 60 batimentos/min em lactentes), ou dessaturação de oxigênio que resolve espontaneamente ao final do paroxismo; guincho ou esforço para auto – recuperação ao final do paroxismo; rolha de muco espontaneamente expectorada; e a exaustão pós-tosse mas ausência de perda de consciência.
  4. Os registros detalhados da tosse e documentação de alimentação, vômitos e alterações no peso fornecem informações para avaliação da gravidade

Principais sinais de Alarme para quadros Graves

Os lactentes, cujos paroxismos repetidamente levam a risco de vida apesar da oferta de oxigênio ou cuja fadiga resulta em hipercapnia, requerem intubação, e ventilação mecânica.

Sinais de Alarme

  1. Taquipneia com Frequência Respiratória acima de 60 r.p.m.;
  2. Frequência Cardíaca acima de 120 b.p.m.;
  3. Contagem de leucócitos acima de 50.000 céls/mm3;
  4. Rápido aumento do numero de Leucócitos
  5. Hipóxia pós-paroxismos persistente

Esquemas Antimicrobianos Terapêuticos e Quimioprofiláticos

Todos os pacientes diagnosticados e todos os contactantes domiciliares devem receber antibiótico terapêutico ou profilático. Recomendação atual do Ministério da Saude é utilizar como droga preferencial a azitromicina por maior facilidade de uso. O tratamento e a quimioprofilaxia tem os mesmos esquemas terapêuticos.

coqueluche

1º escolha: Azitromicina

 

Idade

< 6 meses 10mg/kg 1x/dia/5 dias – preferido para esta faixa etária
≥ 6meses 10 mg/kg ( Máximo de 500 mg) 1 tomada no 1º dia e do 2º ao 5 º dia, 5 mg/k ( máximo de 250 mg) 1 vez ao dia
Adultos 500 mg em 1 tomada no 1º dia e do 2º ao 5ºdias, 250 mg, 1 x ao dia.

2ª escolha: Claritromicina

 

Idade

< 1 mês Não recomendado
1 a 24 meses ≤ 8 Kg :

7,5 mg/kg 2 vezes ao dia/7 dias

> 8 kg: 62,5 mg 2 x dia/7dias

3 a 6 anos 125 mg 2 x dia/7 dias
7 a 9 anos 187,5 mg 2x dia/7dias
≥ 10 anos 250 mg 2x ao dia /7 dias
Adulto 500 mg 2 x ao dia /7 dias

Em caso de indisponibilidade dos medicamentos anteriores: Eritromicina

 

Idade

< 1 mês Não recomendado devido associação com Estenose Hipertrófica de Piloro

40-50 mg/kg dia dividido 6/6 hs por 7 à14 dias

1 a 24 meses 125mg 6/6 hs/ 7 à 14 dias
2 a 8 anos 250 mg 6/6 hs/7 à 14 dias
> 8 anos 250-500 mg 2x dia/7 à 14dias
≥ 10 anos 250 mg 2x ao dia /7 à 14 dias
Adulto 500 mg 2 x ao dia /7 à 14dias

Intolerância a macrolídeo:

* Sulfametazaxol-Trimetropin ( SMZ-TMP)

 

Idade

< 2 mês contra-indicado
≥6 semanas – 5 meses Sulfametoxazol 120 mg 2x/dia/7 dias
≥ 6 meses – 5 anos Sulfametoxazol 240 mg 2x/dia/7 dias
6 à 12 anos Sulfametoxazol 480 mg 2x/dia/7dias
Adultos Sulfametoxazol 960 mg 2x/ dia/7dias

*Droga de escolha se houver contraindicação de Azitromicina, Claritromicina ou Eritromicina.

SITUAÇÕES ESPECIAIS:

Neonatos

Filho de mãe que não fez ou não completou o tratamento adequado (de acordo com a posologia – apresentado nas tabelas de Tratamento e Quimioprofilaxia) deve receber quimioprofilaxia.

Gestantes:

Em qualquer fase da gestação a mulher, se atender a definição de casos suspeito em situação de endemia ou se atender a definição para indicação de quimioprofilaxia, deve receber o tratamento ou quimioprofilaxia, de acordo com as orientações do item “Esquemas Terapêuticos e Quimioprofiláticos” .

Profilaxia

Para diminuir o numero de casos nos lactentes jovens o Ministério da Saúde recomenda às gestantes a Vacina Tríplice Acelular Tipo Adultopreferencialmente após a 20ª semana de gestação, podendo ser administrada simultaneamente às outras vacinas indicadas na gestação, tais como vacinas contra hepatite b e Influenza.

Referência: Portal da Saúde – Ministério da Saúde – www.saude.gov.br Page 1 of 4 – Ministério da Saúde alerta sobre a situação epidemiológica da coqueluche no Brasil
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Associação entre refrigerantes e problemas de comportamento

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16 de dezembro de 2013.
Fonte: The Journal of Pediatrics; Volume 163, Issue 5 , Pages 1323-1328, 2013

Criança bebendo Refrigerante

Um grupo de pesquisadores avaliou a associação entre o consumo de refrigerantes e comportamentos agressivos, problemas de atenção e síndrome de retirada entre crianças de 5 anos de idade.

O estudo “The Fragile Families and Child Wellbeing” foi uma coorte de nascimentos que segue uma amostra de pares mãe-filho de 20 grandes cidades dos EUA. As mães relataram comportamentos das crianças utilizando o Child Behavior Checklist de 5 anos de idade e foram solicitados a relatar quantas porções de refrigerante a criança bebe em um dia típico.

Na amostra de 2.929 crianças, 52% eram do sexo masculino, 51% eram Afro-americano, 43% consumiram pelo menos uma porção de refrigerante por dia, e 4% consumiram quatro ou mais porções por dia.

Na análise ajustada para fatores sociodemográficos, consumir 1, 2, 3, 4 ou mais porções foi associado com uma pontuação de comportamento agressivo mais elevado em comparação com não consumir nenhum refrigerante. Além disso, aqueles que consumiam quatro ou mais porções de refrigerante tiveram escores mais elevados nos problemas de atenção.

Foi observado uma associação entre o consumo de refrigerantes e comportamento negativo entre as crianças muito jovens.

© Bibliomed, Inc.

Promoção do Desenvolvimento Infantil X Atividade Física em Crianças

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Por Simone Sudbrack

Existe uma grande preocupação mundial com o aumento da OBESIDADE no mundo. A  OBESIDADE é um problema que não afeta somente os adultos, ela é uma doença que preocupa bastante pelo aumento dos seus índices na infância. A OBESIDADE trás como conseqüências: aumento da pressão arterial, diabete , dislipidemia (aumento do colesterol) e mais recentemente, aumento dos casos de câncer.

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Quais são os sintomas de alerta para o câncer?

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Departamento de Oncohematologia – Sociedade Brasileira de Pediatria

A história clínica, baseada principalmente na queixa principal, e o exame físico são os primeiros passos no processo de diagnóstico do câncer. A história familiar, a presença de doenças genéticas ou de doenças constitucionais, podem também auxiliar nas orientações para o diagnóstico.

O alto nível de suspeição da doença deve estar presente no raciocínio médico, o que permitirá atenção especial a determinados sinais e sintomas, promovendo desta maneira um reconhecimento mais rápido do câncer.

É importante estar ciente que, na maioria das vezes, esses sinais/sintomas são similares aos de doenças benignas comuns da infância, motivo pelo qual o pediatra deve estar atento.

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Rapidinhas do CANP

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Foram três dias intensos de aprendizado e atualizações (umas até chocantes!) sobre nutrologia pediátrica. O CANP: Curso de Atualização em Nutrologia Pediátrica, oferecido pela Sociedade Paraense de Pediatria me rendeu vários questionamentos sobre as condutas atuais que nós pediatras estamos tomando no consultório em relação à nutrição dessas crianças.

Temos hoje um alto índice de obesos e desnutridos (como assim?!). Os meninos estão tendo uma dieta repleta de alimentos processados e pobres em nutrientes. Ferro e cálcio são os mais prejudicados por esse tipo de “dieta moderna”. Sucos naturais estão, cada vez mais, sendo substituídos por néctares prontos, ricos em açúcares e conservantes.

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Fotoproteção na Infância Para o Pediatra

Dra. Ana Elisa Kiszewski Bau

Vice Presidente do Departamento de Dermatologia da SBP
Professora Adjunta de Dermatologia da UFCSPA. Dermatologista Pediatra do Complexo Hospitalar Santa Casa de Porto Alegre-RS

Proteja seu Filhote do Sol

Estudos mostram que a exposição solar excessiva na infância aumenta de forma significativa o risco de câncer de pele na idade adulta. Calcula-se que 80% de toda radiação solar que recebemos durante toda a vida ocorre nos primeiros 18 anos de idade. Isso poderia ser explicado pelo fato das crianças realizarem muitas atividades ao ar livre e de nem sempre utilizarem medidas de fotoproteção. Outros fatores que se somam são as tendências culturais e sociais que aprovam o bronzeado, bem como a depleção da camada de ozônio, ambos contribuindo para o aumento nos níveis de UV recebidos durante a infância e adolescência.

Neste contexto, campanhas de fotoproteção estão sendo desenvolvidas em diversos países, com o objetivo de alertar os pais sobre os riscos da exposição solar excessiva e orientar sobre as atitudes preventivas. O pediatra tem uma posição de destaque nestas campanhas, pois é ele o especialista que tem maior oportunidade de transmitir estas informações. Atualmente, a OMS considera a criança como o principal alvo das campanhas de fotoproteção. Continuar lendo

Cuidados com o RN Prematuro Tardio (próximo ao termo)

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É considerado Prematuro tardio, o RN Que nasce entre as 34 e 37 semanas incompletas de gestação (36s 6/7 ou 259 dias) e fazem parte de 74% de todos os RN Pretermo.

As maiores causas de Prematuridade tardia são o Parto Prematuro Idiopático (sem motivo) e Rotura de Bolsa Prematura, compondo juntos, 80% das causas; e complicações obstétricas (20%). Continuar lendo

Resultado do Sorteio: Ética da Alegria no Contexto Hospitalar

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Por problemas no sorteie.me, o sorteio saiu atrasado, mas ainda no dia prometido!

Aqui está o resultado: Continuar lendo

Sorteio: Ética da Alegria no Contexto Hospitalar

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Livro Boas Misturas lançado em 2003 e com edição esgotada é relançado agora pelo selo Sinergia do grupo Ediouro com o nome Ética da Alegria no contexto hospitalar

E porque um novo nome? Trabalhar com uma obra é olhar no espelho do tempo quão viva e jovem permanecem as palavras, as idéias, a proposta. Livro é sempre inacabado. Sempre se descobre melhor possibilidade de dizer, pontuar, enxugar, de clarificar pensamentos para se conectar com o leitor. Este foi o exercício que fiz para este lançamento. Fiquei feliz com o que vi no espelho. Este livro é mais atual hoje que em 2003. Necessário em um mundo cada dia mais tecnológico e mais analfabeto para as relações humanas. Não podemos parar de dizer certas coisas, a despeito de tudo que possa já ter sido contado. É preciso sempre falar da condição humana, ocupar esforços para desvendar esta natureza complexa, frágil, articulada, misteriosa. É preciso insistir em entender o que move as relações. Descobri, ao longo destes anos, que este livro não fala aos que buscam o que é certo ou errado. Ele propõe uma ética do encontro, um modo de ver o que está ao redor, de ver o outro. Trata-se de uma filosofia de vida para um mundo que precisa aprender a conviver com diferenças de raças, classes sociais, religiões. Por isso ética. Ela nos moverá para cuidar dos desafios de nossos tempos. Qual ética nos guiará? Eu proponho a ética da alegria. Diferente da risada sem compromisso, da felicidade fugaz, falo da alegria da celebração da vida em sua potencia, do que temos de melhor, do que nos move e imprime nossa ação potente. Como humanos estamos expostos pelas nossas emoções que escorrem pelos olhos a cada encontro. Cuidar desta natureza é sobre o que fala Ética da Alegria no contexto hospitalar. Um nome, uma profundidade e se alcançar.

Para saber mais sobre o livro e a autora Morgana Masetti, clique aqui.

E o blog Nova Pediatria foi um dos escolhidos para sortear a obra entre os nossos leitores!

Para participar, você tem que ser morador brasileiro e seguir direitinho às regras seguintes:

  • Ser seguidor da @brabul no twitter.
  • Curtir a fanpage Brabul.com no facebook.
  • Tuitar a seguinte frase: “Eu quero ganhar o livro ÉTICA DA ALEGRIA  que a @brabul está sorteando no blog #NovaPediatria http://kingo.to/1ace

O resultado do sorteio será no próximo sábado, dia 18 de agosto de 2012 às 16h e o ganhador deverá entrar em contato via twitter ou comentário neste post, até as 16h do dia 23 de agosto de 2012. Caso não entre em contato, haverá um novo sorteio no outro sábado (dia 25/08/12) às 16h.

O participante que não seguir o twitter mencionado e não curtir a fanpage, no momento do sorteio, será DESCLASSIFICADO.

O sorteio será realizado através do site Sorteie.me.

Participe, não fique de fora!

O livro é muito bom e gostoso de ler! 

Parto Extático – O modelo hormonal naturalmente previsto para o trabalho*

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Dr. Sarah J. Buckley

Dar a luz em êxtase: esse é nosso direito de nascença e a intenção de nossos corpos. A natureza, em sua sabedoria, prescreve hormônios do parto que nos deixam fora do nosso estado usual, para que assim possamos ser transformadas em todos os níveis quando entramos na condição de mães.

Essa requintada orquestração hormonal se desenvolve de forma plena quando o parto não é perturbado, provendo segurança durante o processo para mãe e bebê. A ciência está descobrindo e confirmando o que nós já havíamos descoberto enquanto mães: que a forma como parimos nos marca por toda a vida (para mãe e bebê) e que um parto extático – um parto que nos leva além de nosso eu – é um presente único.

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