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Para refletir, antes de ler o texto: quanto você pagou?

  • no seu último vestido de festa;

  • na sua última ida ao salão de beleza?

  • no presente de aniversário do seu marido?

  • no seu celular?InvestimentoEmBeleza

E quanto você investe na sua saúde?

Hoje em dia, alguns valores estão equivocados. A maioria das pessoas age em estado de comoção social, agindo como todos, valorizando o que não tem valor! O seu cabelo que custa 300 reais a cada seis meses. O celular que custa mais de mil reais e não dura mais de dois anos. O vestido que você vai arrasar no casamento da sua prima, e que definitivamente só vai usar uma vez.

Mas e a qualidade de vida?

Pessoas querem pagar muito pouco em uma academia. E saem lesionadas.

Tem pena de pagar uma limpeza no dentista, com prevenção e acabam gastando o triplo na correção.

E, chegando ao ponto crucial: não valorizam o trabalho de prestadores de saúde.

A qualidade do atendimento depende muitíssimo da qualidade do serviço.

Quando o médico ganha de menos, ele tem que produzir mais! Sinceramente, meus colegas que atendem planos recebem muito pouco por cada paciente. Como condenar por eles terem que atender um paciente mais rápido, fazer um exame menos minucioso e exagerar nos exames complementares porque tem mais 20 esperando impacientes na sala de espera e postando nas redes sociais que “nossa, você tem que passar um dia inteiro numa sala de espera para ser atendido!”?

Muitos deles não almoçam, não tem tempo de ir à academia, chegam muito cansados em casa e não saem para se divertir nos fins de semana porque estão de plantão. E na segunda, voltam acabados, cansados, e tendo que atender 20, 30 pacientes por dia.

Não sei qual o seu trabalho, mas eu já tive essa experiência. Trabalhar 8 horas por dia na residência, mais quatro no emprego público e 24h semanais de plantão aos fins de semana. Vivia de mau humor e gastei toda a grana em terapia (na época, 200 reais por semana).

Vale a pena viver assim? Cheia de dinheiro e mau humor?

Junto com o autoconhecimento, fui largando o que não me contentava. Larguei os plantões noturnos primeiro. E assim, diminuí as olheiras e o cansaço diurno. Depois larguei os plantões de urgência, que hoje em dia, servem mais para suprir a deficiência de médicos para atendimento eletivo e lotam os serviços de casos que poderiam esperar.

Há um déficit visível dos serviços de saúde no Brasil e todos nós somos responsáveis por isso. Não queremos usar o SUS. Mas também não queremos pagar uma consulta particular se o médico da urgência pode resolver isso “de graça” em 15 minutos.

Em 15 minutos, eu não consigo nem terminar a minha entrevista! Ainda mais prestar atenção no que não é mencionado. Na urgência o exame é direcionado. Uma criança precisa de um exame minucioso. Ela necessita de um cuidado maior, de atenção plena. O pediatra precisa investigar além do que o pai e a mãe enxergam.

Minhas consultas domiciliares duram, em média, uma hora. Já passei quase duas horas com paciente, observando a amamentação, respeitando o tempo da criança, orientando sobre pegas, dando dicas de posições, além de orientar os pais sobre como cuidar deles mesmos a fim de cuidar bem da criança.

Eu não sinto esse tempo passar. Porque eu amo o que faço. E me cobro demais para fazer o serviço que eu sempre sonhei, dando o meu melhor. A pediatria não me sustenta. Por sorte, sou funcionária pública, este é o meu emprego e é ele que me permite fazer o que amo com qualidade e dedicação.

É por isso que, lamento dizer, não está no planejamento, cadastrar-me em planos de saúde ou entrar em clínicas que ficam com metade do valor de meu doce trabalho, só por disponibilizarem um espaço.

Eu prefiro ter poucos pacientes, saber reconhecer cada um na rua, saber o nome dos pais, sendo paga para fazer o meu melhor. E chegar em casa, estudar o prontuário de cada um, estudar sobre suas particularidades antes de cada consulta e ir atualizadíssima para a casa de quem confiou e valorizou o meu trabalho.

Gratidão!